14 coisas que aprendi durante meu intercâmbio na Irlanda

Em 15.03.2017   Arquivado em Auto ajuda, Destaque, Listas, Reflexão, Viagens
Intercâmbio Dublin - Irlanda (2016)

Phoenix Park – Dublin/Irlanda (Intercâmbio 2016) – Fotografia Gabriela Mitozo

Há um ano, dia 14/03/2016 eu pisei pela primeira vez em Dublin – Irlanda. Ou seja, hoje faz exatamente um ano que cheguei lá. Foram oito meses de muito aprendizado. Agora já de volta ao Brasil quero compartilhar um pouquinho com vocêsdo que aprendi nesta maravilhosa ilha esmeralda.

1.As coisas acontecem no tempo que devem acontecer. Paciência.

A gente fica triste, com raiva, fica chateado mas as coisas realmente acontecem no momento que devem acontecer. Podemos negar por anos, mas quando a “coisa” acontece e olhamos para trás, vemos porque tudo aconteceu como aconteceu. Que o momento certo não era aquele que você queria, mas ele aconteceu quando era pra ser.

Depois de eu fazer um intercâmbio para Córdoba – Argentina (2011), quis muito fazer outro, então durante minha faculdade eu fiquei tentando bolsas e mais bolsas e até o Ciência sem Fronteiras, nenhuma dava certo. Até que tudo se encaminhou para eu viajar para a Irlanda em 2016 com o meu irmão. E foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Foi um intercâmbio maravilhoso e cheio de aprendizado. E ainda por cima conheci uma pessoa super especial, meu namorado <3

2. A diversidade cultural é linda. Saber respeitar as diferenças é mais bonito ainda.

Quantas pessoas diferentes conhecemos na vida não é mesmo? E nesse intercâmbio não foi diferente, conheci muita gente, conheci gente do Brasil e de outros países, e cada lugarzinho é diferente e tem suas culturas diferentes. Nós devemos abrir a mente e respeitar uns aos outros e isso é lindo.

Assuntos polêmicos como comer carne de cachorro ou outros tópicos são temas que sim aparecem no dia a dia e na sala de aula. Deve portanto haver respeito. Coloque-se no lugar do outro. O simples ato de cumprimentar as pessoas com um beijo no rosto que é muito comum no Brasil, não é nada comum lá fora.

3.Para tudo se dá um jeito.

Quantos perrengues não passei no intercâmbio? Sim, nem tudo são flores (mas isso é tópico para outro post). Nós quebramos a cabeça, choramos e nos angustiamos mas de alguma forma conseguimos contornar determinada situação e ficar bem.

Quase fiquei sem casa em Dublin (umas duas vezes). Numa delas consegui ficar morando num hotel por 2 meses por indicação de uma  pessoa que trabalhava na minha escola de inglês (thank you so much, Paula <3 ).

4.Pense primeiro em você, não espere pelos outros.

 Eu sempre penso muito nos outros e esqueço de pensar em mim, então essa lição para mim foi valiosa. Já levei incontáveis “tapas” na cara por conta disso, no intercâmbio não foi diferente haha  As pessoas fazem tudo de acordo com a necessidade delas. E na verdade elas estão certas. Só que eu não fazia o mesmo que elas.

5.Dinheiro é necessário para viver.

Isso é óbvio haha No mundo capitalista é SUPER óbvio. Mas é que eu vi em mãos como não tem jeito. Se você quer ter uma vida tranquila, viajar, sair, estudar, você precisa de dinheiro. Infelizmente é a realidade do mundo de hoje. Apesar de eu já administrar meu dinheiro e já ter feito também isso no meu intercâmbio para Córdoba (Argentina), dessa vez eu tive que ter contato com a vida real (de adulto haha), casa, comida, lazer… E não é fácil, ainda mais em euro hahaha

6. Quem procura sempre alcança.

Quantas pessoas no intercâmbio na Irlanda eu não vi correrem atrás de emprego e conseguirem? Aconteceu o mesmo comigo… Eu falei comigo mesma: Vou conseguir um emprego, vou andar por tudo e entregar meu currículo. Até que eu consegui.

7. Sempre se ponha no lugar dos outros.

Quando você se relaciona com as outras pessoas você deve sempre pensar em se colocar no lugar do outro. Como você gostaria que te tratassem? Então faça o mesmo pelos outros.

8. As pessoas trabalham duro para servi-lo.

Eu já sabia como as pessoas são trabalhadoras e dedicadas e como o trabalho é duro em locais como lojas, restaurantes e etc, mas eu passei por isso em primeira mão e a experiência foi transformadora. Por mais que você já respeitasse e tudo mais, você com certeza passa a olhar as pessoas com outro olhar e você  respeita ainda mais quem está ali trabalhando para lhe ajudar ou lhe servir.

9. Neste mundo, cheio de desonestidade, muitas pessoas são oportunistas e tiram vantagem de você.

 Não podemos ser bobos. Tem muita, muita gente desonesta no mundo. E não se engane, existe gente de má fé em todos os lugares. Não acredite na conversa fiada de que só no Brasil existem problemas.
Eu passei por perrengues em Dublin quando arranjei um trabalho de garçonete num pub, trabalhei horas e horas com meu chefe me explorando. Não ganhei quanto deveria ganhar. Aprendi muito com essa experiência.

Mas os detalhes também ficam para um post mais para frente 🙂

10. Aproveite cada momento.

Phoenix Park - Dublin (Irlanda)- (Intercâmbio 2016)

Phoenix Park – Dublin/Irlanda (Intercâmbio 2016) – Fotografia Gabriela Mitozo

 

 Isso parece bastante óbvio, mas nem sempre é assim. Temos que curtir muito cada segundo da vida! O intercâmbio passou muito rápido!!! Hoje faz exatamente um ano que eu fui! Já passou! O que eu tenho agora são apenas as memórias (e as fotos) que guardo desses momentos únicos. Mas a vida também não é única? Então devemos transferir esse ensinamento para todos os dias da nossa vida.

11. Olhe ao redor para tudo e para todos sempre como se fosse a primeira vez.

Quando chegamos num lugar novo tudo é lindo e belo e é novidade. E isso é uma delícia. Mas devemos praticar fazer isso todos os dias da nossa vida. Olhar com o olhar de uma criança. Repare bem como as crianças olham tudo com curiosidade e admiração, tudo é um mundo novo. A vida desse jeito é mais bela <3

12. Você não vai resolver seus medos, dúvidas ou inseguranças só porque viajou para outro lugar.

Muita gente acha que ao viajar vai conseguir resolver seus problemas e questionamentos de vida. Que conseguir decidir o que quer da vida. Vi muito isso por lá. Inclusive eu pensava que eu teria um pouco de clareamento sobre dúvidas em relação à carreira e do que realmente gosto. Mas não é a viagem que vai te fazer mudar ou pensar diferente, é você e apenas você, não importante onde.

13. A arte de se adaptar a situações novas é algo incrível.

Se você vai viajar para outro país já tem que ter em mente que vai ter que se adaptar. E é muito engraçado como essas coisas acontecem. Tive que me mudar algumas vezes de casa enquanto morei na Irlanda. Por mais que no início eu não tivesse gostado do lugar, no fim eu já tinha me adaptado e não queria mais sair rs

14. O mundo é lindo . Todos deveria viajar ou fazer intercâmbio.

Os lugares lindos que vemos nos livros de História são reais!!! hahaha Óbvio que eu sabia disso, mas é que parece algo tão distante e quando você chega lá… É tão lindo. E mais lindo ainda ao vivo <3 Todos deveriam ter esta experiência enriquecedora.

Irlanda - Cliffs of Moher (Intercâmbio 2016)

Irlanda – Cliffs of Moher (Intercâmbio 2016) Fotografia por Gabriela Mitozo

 

Você já fez intercâmbio? Aprendeu mais coisas? Se identificou alguma? Se ainda não fez, pretende fazer? Dou total apoio. É uma das melhores coisas que você pode fazer . Saia, vá conhecer o mundo, abra suas asas, abraça sua mente <3

Quando eu fui assediada – Um desabafo

Em 15.07.2016   Arquivado em Destaque, Pessoal, Reflexão, Vamos falar de...

Esse provavelmente é o texto mais difícil que publiquei aqui. É o texto que demorou mais de 10 anos para ser colocado para fora.

Algumas pessoas sabem disso. Aos poucos tenho tenho contado para mais gente… E eu venho criando ainda mais coragem para publicar isto na internet. Talvez eu termine de escrever e não queira publicar, mas eu sinto dentro de mim que eu preciso disso.

Eu não me lembro exatamente o ano, mas eu devia ter uns 13 anos. Mas não foi só uma vez. Todas as vezes por incrível que pareça aconteceram dentro de ônibus. Diferentes ônibus, mas ainda assim ônibus. A primeira que eu vou contar é a mais clara na minha mente e a que provavelmente desencadeou o início de traumas.

Foi de tarde, no período vespertino, horário comum para alunos irem para aula. Não era noite e as ruas estavam movimentadas. Eu era uma criança, uma pré-adolescente indo para a aula de educação física.

Eu estava de uniforme, com uma calça legging que tínhamos que usar na educação física. Sentei na cadeira do ônibus do lado do corredor, do lado de um homem que estava sentado do lado da janela. Coloquei meu fone de ouvido e comecei a ouvir música como de costume.

A caminho da minha escola eu senti o homem encostar a perna em mim. Não liguei pois ônibus é pequeno, as pessoas encostam, nem dei bola, nem olhei pro lado…

–  Tô te incomodando?  – Ele me perguntou alguns minutos depois.

– Não. – Eu disse sem olhar diretamente pra ele logo voltando a escutar minha música.

Poucos minutos depois…

– Não estou te incomodando?

Balancei minha cabeça negativamente. Mas algo estava me incomodando. Eu sentia o homem me olhar toda hora.

Eu olhei discretamente para o lado… E eu vi. Vi ele se masturbando… E eu entrei em choque.

Eu tenho um branco na minha memória. Eu não lembro o que aconteceu depois. Eu só consigo me lembrar de eu tirar meus olhos dele e olhar para frente e a partir daí eu não lembro nada.

É um vazio. E eu quero saber… Ou as vezes eu não quero saber… É um conflito dentro de mim, pois sinto que pode ser pior lembrar… As vezes acho que parou nisso, as vezes me questiono sobre se poderia ter tido algo mais e se minha mente deve ter bloqueado… Mas ainda me atormenta essa imagem e o vazio. E eu sinto tristeza, eu me sinto imobilizada, frágil, exposta…

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Depois do branco que eu tenho na minha memória eu apenas tenho uma lembrança vaga de eu pensando que tinha que sair dali. E lembro de descer no ponto de ônibus e ir para  a escola chorando.

Contei para minhas amigas.

Acontece que uma amiga minha já tinha passado por isso na mesma semana. E ela me disse. Era o mesmo cara. Ele usou as mesmas palavras, o mesmo papo.

Uma semana depois outra menina passou pelo mesmo. Mas ela não ficou calada. Ela gritou ela pediu ajuda e xingou o cara. E sabe o que fizeram? NADA.

Nada… nada… nada…

Nada.

.

.

.

Apenas olharam para ela.

Ela fez B.O. Mas também não adiantou nada.

O mesmo cara com três adolescentes da mesma escola em duas semanas. Com quantas meninas ele deve ter feito isso?

Desde então eu já passei por outras situações similares. Tanto é que já sei qual o estilo de homem. Eles geralmente são mais velhos. E eles usam algo para esconder o que estão fazendo. Uma maleta… O celular…

O que aconteceu afetou minha vida. Eu fiquei com medo de usar calça legging por muito tempo… Eu não quis mais usar saias e shorts quando ia pegar ônibus. Eu nunca mais sentei do lado da janela no ônibus por medo de algum cara sentar lá… Só sento quando não tem ninguém, e se alguém entra no ônibus eu fico de olho e sempre troco de lugar.

Eu prefiro sentar do lado de mulheres. Eu criei um preconceito com homens mais velhos…

As vezes eu me sinto ser perseguida na rua se vejo um homem muito perto de mim por muito tempo.

Se um carro se aproxima de mim devagar eu já saio de perto…

Eu tive muitos medos e inseguranças… Eu senti culpa… Culpa por sentir prazer? Na verdade enquanto eu escrevo isso e choro eu percebo que ainda sinto.

MAS eu também me aproximei de uma coisa que tem me dado forças a cada dia. O feminismo.

Desde pequena eu fui feminista, com direito a criar página no twitter sobre feminismo junto com uma amiga.

O feminismo sempre me mostrou os meus direitos. Me mostrou que direitos devem ser iguais para todos. Direito de não ser vista como objeto. Direito de se sentir segura na rua tanto como qualquer outra pessoa…

O feminismo me fez perceber também que eu não estou sozinha… É por conta também do feminismo que eu estou escrevendo esse texto. Por ler depoimentos de outras mulheres eu estou criando força e coragem para soltar minha voz e eu espero ajudar alguém e mostrar que nós não temos culpa… Que nós não devemos nos sentir mal…

E eu sei que é fácil falar porque na prática é tudo diferente… E talvez nós possamos compartilhar nossas histórias e mostrar como podemos superar nossos medos , traumas e aflições.

Somos irmãs e devemos sempre caminhar juntas.

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