Categoria "Reflexão"

Quando eu fui assediada – Um desabafo

Em 15.07.2016   Arquivado em Destaque, Pessoal, Reflexão, Vamos falar de...

Esse provavelmente é o texto mais difícil que publiquei aqui. É o texto que demorou mais de 10 anos para ser colocado para fora.

Algumas pessoas sabem disso. Aos poucos tenho tenho contado para mais gente… E eu venho criando ainda mais coragem para publicar isto na internet. Talvez eu termine de escrever e não queira publicar, mas eu sinto dentro de mim que eu preciso disso.

Eu não me lembro exatamente o ano, mas eu devia ter uns 13 anos. Mas não foi só uma vez. Todas as vezes por incrível que pareça aconteceram dentro de ônibus. Diferentes ônibus, mas ainda assim ônibus. A primeira que eu vou contar é a mais clara na minha mente e a que provavelmente desencadeou o início de traumas.

Foi de tarde, no período vespertino, horário comum para alunos irem para aula. Não era noite e as ruas estavam movimentadas. Eu era uma criança, uma pré-adolescente indo para a aula de educação física.

Eu estava de uniforme, com uma calça legging que tínhamos que usar na educação física. Sentei na cadeira do ônibus do lado do corredor, do lado de um homem que estava sentado do lado da janela. Coloquei meu fone de ouvido e comecei a ouvir música como de costume.

A caminho da minha escola eu senti o homem encostar a perna em mim. Não liguei pois ônibus é pequeno, as pessoas encostam, nem dei bola, nem olhei pro lado…

–  Tô te incomodando?  – Ele me perguntou alguns minutos depois.

– Não. – Eu disse sem olhar diretamente pra ele logo voltando a escutar minha música.

Poucos minutos depois…

– Não estou te incomodando?

Balancei minha cabeça negativamente. Mas algo estava me incomodando. Eu sentia o homem me olhar toda hora.

Eu olhei discretamente para o lado… E eu vi. Vi ele se masturbando… E eu entrei em choque.

Eu tenho um branco na minha memória. Eu não lembro o que aconteceu depois. Eu só consigo me lembrar de eu tirar meus olhos dele e olhar para frente e a partir daí eu não lembro nada.

É um vazio. E eu quero saber… Ou as vezes eu não quero saber… É um conflito dentro de mim, pois sinto que pode ser pior lembrar… As vezes acho que parou nisso, as vezes me questiono sobre se poderia ter tido algo mais e se minha mente deve ter bloqueado… Mas ainda me atormenta essa imagem e o vazio. E eu sinto tristeza, eu me sinto imobilizada, frágil, exposta…

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Depois do branco que eu tenho na minha memória eu apenas tenho uma lembrança vaga de eu pensando que tinha que sair dali. E lembro de descer no ponto de ônibus e ir para  a escola chorando.

Contei para minhas amigas.

Acontece que uma amiga minha já tinha passado por isso na mesma semana. E ela me disse. Era o mesmo cara. Ele usou as mesmas palavras, o mesmo papo.

Uma semana depois outra menina passou pelo mesmo. Mas ela não ficou calada. Ela gritou ela pediu ajuda e xingou o cara. E sabe o que fizeram? NADA.

Nada… nada… nada…

Nada.

.

.

.

Apenas olharam para ela.

Ela fez B.O. Mas também não adiantou nada.

O mesmo cara com três adolescentes da mesma escola em duas semanas. Com quantas meninas ele deve ter feito isso?

Desde então eu já passei por outras situações similares. Tanto é que já sei qual o estilo de homem. Eles geralmente são mais velhos. E eles usam algo para esconder o que estão fazendo. Uma maleta… O celular…

O que aconteceu afetou minha vida. Eu fiquei com medo de usar calça legging por muito tempo… Eu não quis mais usar saias e shorts quando ia pegar ônibus. Eu nunca mais sentei do lado da janela no ônibus por medo de algum cara sentar lá… Só sento quando não tem ninguém, e se alguém entra no ônibus eu fico de olho e sempre troco de lugar.

Eu prefiro sentar do lado de mulheres. Eu criei um preconceito com homens mais velhos…

As vezes eu me sinto ser perseguida na rua se vejo um homem muito perto de mim por muito tempo.

Se um carro se aproxima de mim devagar eu já saio de perto…

Eu tive muitos medos e inseguranças… Eu senti culpa… Culpa por sentir prazer? Na verdade enquanto eu escrevo isso e choro eu percebo que ainda sinto.

MAS eu também me aproximei de uma coisa que tem me dado forças a cada dia. O feminismo.

Desde pequena eu fui feminista, com direito a criar página no twitter sobre feminismo junto com uma amiga.

O feminismo sempre me mostrou os meus direitos. Me mostrou que direitos devem ser iguais para todos. Direito de não ser vista como objeto. Direito de se sentir segura na rua tanto como qualquer outra pessoa…

O feminismo me fez perceber também que eu não estou sozinha… É por conta também do feminismo que eu estou escrevendo esse texto. Por ler depoimentos de outras mulheres eu estou criando força e coragem para soltar minha voz e eu espero ajudar alguém e mostrar que nós não temos culpa… Que nós não devemos nos sentir mal…

E eu sei que é fácil falar porque na prática é tudo diferente… E talvez nós possamos compartilhar nossas histórias e mostrar como podemos superar nossos medos , traumas e aflições.

Somos irmãs e devemos sempre caminhar juntas.

Sumiço , correria – Intercâmbio

Em 06.06.2016   Arquivado em Pessoal, Reflexão

Olá leitores!!! Este post é mais para pedir desculpas pelo meu sumiço no último mês.

Quem me acompanha aqui no blog já sabe, mas quem está vindo aqui pela primeira vez, eu estou fazendo um intercâmbio na Irlanda, em Dublin.

O último mês aqui para mim em Dublin foi muito, muito corrido, não tive muito tempo para me dedicar ao blog, a música ou outras coisas que eu estou acostumada e gosto de fazer.

Foi o mês em que achei um flat para morar finalmente depois de 2 meses e meio (aqui tem mais procura do que oferta em aluguel, então é MUITO difícil conseguir uma vaga boa), foi o mês que duas amigas minhas foram embora, foi o mês que eu tive que, junto com o meu irmão, procurar dois flatmates (colegas de casa ) para morarem com a gente , então tivemos que conhecer muita gente, muitas entrevistas…

Também foi o mês que eu consegui mudar de nível no inglês, subi um nível. Foi um mês bem estressante e corrido e não tive muito tempo para mim. Foi um mês que meu estresse ficou a mil, tive problemas de saúde de alergia por conta disso.

Mas agora eu acredito que as coisas estão se encaixando e se assentando.  Muita coisa mudou, muita coisa aconteceu em apenas dois meses e meio. Imagino o que a vida reserva para os próximos 6 meses.

Nada aqui é certo. Pode ser que eu me mude, pode ser que não. Pode ser que meu flatmates se mudem, pode ser que não. Agora é batalhar para conseguir um emprego, aumentar a dedicação no inglês e ir em busca de outros sonhos que vim procurar aqui. Talvez tudo se encaixando eu possa me dedicar também mais ao meu lado artístico que eu sinto falta.

Mas mantenham seus olhos pelo blog. Darei o meu máximo para mantê-lo atualizado. Mais uma vez, desculpem pelo sumiço!

A importância de dizer “não”

Em 11.04.2016   Arquivado em Destaque, Pessoal, Reflexão

Você sabe dizer “não“? Sabe mesmo?

não

Por muito tempo eu não sabia dizer “não“. Ainda hoje eu não tenho certeza se sei.

Mas vou contar para você que eu sofria muito. Eu não conseguir nem dizer “não” para ir no banheiro com uma colega.

Na escola ela me chamou: “Gabi, vem no banheiro comigo?”

Geralmente nós mulheres sempre vamos juntas. MAS naquela hora eu estava ocupada. Resolvendo uma questão importante mesmo. E eu fui. Deixei o que era mais importante para mim só porque eu não sabia dizer “NÃO”.

Mas tem situação piores que essa. Quando você não saber dizer “não” para um relacionamento?

Quando você não sabe dizer “não” para coisas que te machucam?

É complicado.

Hoje eu aprendi a dizer “não“. Mas eu sofri antes de conseguir.

Dizendo “não” você ganha muita coisa. Você ganha respeito, tempo, paz! Ganha tudo. Muitos podem achar isso besteira, mas não é. Podem achar que é fácil. Mas não é. Não tema se você é assim. Você pode mudar.

Acho que tem um marco na vida  do momento que comecei a dizer “não“. Foi uma amiga minha (chamarei ela de X) que me ajudou nesse marco. Foi uma coisa difícil mas tão boba, mas eu me senti mal.

Essa minha amiga X sabia que eu não sabia dizer “não” e me fez dizer não.

A mesma menina lá que me chamou para ir no banheiro pediu outra coisa para mim.

A verdade é que: Por eu não saber dizer “não” ela me faz de gato e sapato. Eu era um brinquedo. E nesse dia ela pediu emprestado um DVD de um filme. Um filme que eu já tinha separado para ver com outra pessoa (se não me engano era com a minha irmã). Ela me pediu o DVD emprestado para ela assistir no fim de semana.

Eu QUASE disse “sim“. Mas a minha amiga X disse. VOLTA lá agora e diz que “não“. E eu fui. Eu quase morri por dentro. Eu vou descrever aqui o eu senti quando disse não. Talvez você me entenda, você que não sabe dizer “não” ou você que já passou por algo semelhante.

Eu disse “não“.
Ela me olhou. Me olhou com uma cara de tristeza. De decepção. Como se ela nunca mais fosse esperar nada de mim.
Como se eu fosse uma decepção.

Foi o que EU senti. Não que fosse verdade que ela tenha pensado tudo isso. Mas eu acredito que é o que passa na cabeça das pessoas que tem medo de dizer “não“. Ou algo parecido.

Parece que dói dizer que “não” porque as pessoas não vão gostar de você.

MAS EU TE DIGO> Acontece o contrário. As pessoas te respeitam. E você vai andar com pessoas muito melhores, pessoas que não te fazem de capacho.

Vamos aprender a dizer “não” juntos? Compartilhar experiências? Eu posso te contar como eu estou melhor agora e como é um alívio viver assim. Se você não quiser escrever aqui nos comentários eu vou ficar feliz de te  responder pelo e-mail: contato@soltavoz.com.

Até a próxima, não esqueça de comentar!!!

Retrospectiva 2015

Em 31.12.2015   Arquivado em Reflexão
Hoje é o último dia do ano… ♫ e o que você fez ? O ano termina…E começa outra vez ♫

     Adaptação da música da Simone haha. Bom, todo fim de ano eu paro para analisar como foi o ano que passou, mesmo que mentalmente. Dessa vez eu vou postar no blog. Bom, esse ano foi um ano muito bom para mim. Abaixo eu listo as principais coisas que aconteceram comigo.

Muitos reencontros:

     Nesse ano eu revi muita gente: Minha família de Manaus, Minha prima linda que mora no Rio que eu não via há três anos; Minha amiga de infância e o pai dela (que eu chamo de tio); Minha outra prima que eu não via desde 1999!!!; Meu tio (irmão do meu pai) e o filho dele (meu primo) que eu também não via há uns 3-4 anos.

     Revi tanta gente que não sei se esqueci de mais alguém hahahha Foi um ano bem lindo de reencontros. Gostei muito.

Muitas viagens:

     Parte dos reencontros acima se deram também por eu ter viajado bastante esse ano. Eu fui para:

  • São Paulo (São Paulo)
  • Orlando (Flórida – EUA)
  • Manaus (Amazonas)

     Bom, podem ser três lugares, mas pra mim foi bastante para o que estou acostumada hahah Geralmente seria uma viagem grande por ano, mas dessa vez foram três. Eu amei todas, não mudaria nada <3

Grandes realizações:

  • Ir para os parques da Disney: O fato de eu ter ido para Orlando e conhecido os parques “Island of Adventure” e “Universal” foi incrível, foi um sonho realizado. Nunca pensei que eu iria realizar esse sonho tão cedo. Mas isso eu devo agradecer a minha amiga linda de infância (Amanda <3). Se não fosse por ela eu não sei quando eu iria para lá e iria realizar o sonho de conhecer esse lugar tão mágico e fantástico.

DICA e OBSERVAÇÃO : Quando alguém vai fazer algo e te chama para ir junto, VÁ. Com essa experiência eu percebi que é assim. Surgiu a oportunidade. Aceite. Abrace e vá. É muito mais fácil desse jeito. Quando você está por si só você tende a enrolar e deixar sempre para frente com aquelas frases do tipo : “Ano que vem eu vou”.
Se não fosse pela minha amiga, eu não sei quando iria. Mas mesmo com dificuldades e com uma pequena incerteza de como eu iria, eu aceitei. A partir do momento que eu disse “sim” para que aquela oportunidade, as portas se abriram e tudo se encaixou.

     ps: Sobre os parques estou devendo postagens sobre eles com dicas, mas não se preocupem, estou organizando para postar bem lindo *-*

  • Defender meu TCC e ganhar uma boa nota: Que se sentir realizado e feliz na faculdade? Faça o TCC, defenda e receba uma nota boa.
    Quando a banca me deu a nota eu fiquei tão feliz, mas tão feliz e aliviada. Aaah, foi ótimo. Foi como tirar uma tonelada das minhas costas. E eu amei o meu resultado final da minha  pesquisa. Em alguma postagem eu conto aqui para vocês, é sobre música e cinema.

Início de novos bons hábitos:

         Mesmo que eu tenha iniciado esses novos bons hábitos agora no fim do ano, foram coisas que me deixaram muito realizadas e feliz. Na verdade são apenas duas coisas:

  • Fazer exercícios regularmente : Eu e minha irmã estamos indo na academia 3 vezes por semana e 2 dias na semana nós vamos para a Beiramar aqui de Floripa. Já vai dar um mês de exercícios, essa é a terceira semana. Apesar da preguiça na hora de levantar cedo (programamos acordar 07:30 da manhã), depois sentimos os benefícios.
  • Ter minhas coisas organizadas (armário, estante): Bom, esse hábito não posso confirmar ainda, mas estou tão empolgada de ver minhas coisas organizadas e bonitinhas!!! Desde um dia antes do natal que estou fazendo uma limpa GERAL MEGA TRANSFORMADORA nas minhas coisas. Joguei muuita coisa fora. Fiz uma caixinha para colocar minhas pastas (posso mostrar depois no blog) e aprendi maneiras beem legais de dobrar várias peças de roupa para ocupar menos espaço. Eu vou manter a organização, essa é minha meta. Eu tô vendo minha estante tão limpinha que eu não consigo pensar em bagunçar. Eu sempre faço essas mega organizações de meio e fim de ano, mas dessa vez eu me superei, nunca fiz uma tão boa assim.
    Eu sou uma pessoa muito organizada na vida, mas no meu quarto eu costumaVA ser mais bagunceira, mas as coisas vão mudar meus amigos. A Gabriela ordeira chegou para ficar !!!

Decepções no coração:

         Bom, esse título já diz tudo né? rs Mas a gente aprende muito com essas patadas no coração. A gente aprende a ficar com um pé atrás. Mas a decepção é o que acaba mais com a gente. Você espera muito de alguém e a pessoa te joga um balde de água fria. Mas nós temos que aprender também a não depositar expectativas nas pessoas. A gente se decepciona porque esperamos algo, mas a verdade é que não devemos esperar nada de ninguém. Quem sabe eu não faço um post sobre expectativas? * (Sai correndo pra anotar a ideia).
Mas tudo tem um lado bom. Provavelmente mais tarde a gente agradece esses pés na bunda!!! hahahah

         Sou muito grata por tudo que aconteceu comigo este ano. Mesmo as coisas que consideramos ruins nós devemos agradecer pois é com elas que mais aprendemos.

   Um feliz 2016 para todos vocês.Um ano repleto de amor, saúde, alegria e muita muita felicidade. Que vocês alcancem todos os sonhos e metas. Que o ano seja repleto principalmente de paz. Esse próximo ano eu tenho muitas metas, muitas delas estão descritas no desafio de 1001 dias, por isso não vou listas aqui, mais vocês podem conferir nesse link aqui, é do blog mesmo.
Escreve aqui em baixo nos comentários suas maiores realizações de 2015 e os seus planos para 2016, vou adorar ler!

     Muitas novidades e postagens regulares para o ano que vem aqui no blog.

     Beijos e até o ano que vem 🙂

Vamos falar de… Depressão

Em 08.09.2015   Arquivado em Destaque, Pessoal, Reflexão, Vamos falar de...

      Quando eu escrevi essa postagem eu estava superando um momento de depressão. Eu demorei para ter coragem de postar aqui no blog. E depois mesmo estando bem, foram tempos mais puxados para mim, com finalizações de curso, escrevendo tcc, fazendo portfólio de animação, estudando um concerto para piano e orquestra. Faz bastante tempo na verdade que fiquei bem. Mas eu não estava muito entusiasmada de escrever porque já estava escrevendo muito o tcc (12/12/2015).

      Todos nós paramos alguma vez na vida para refletir, pensar sobre o futuro e às vezes lembrar do passado.  Mas para algumas pessoas esses momentos de reflexão  se tornam constantes e  presentes em cada minuto e segundo.  Isso causa um problema chamado ansiedade. Quando a ansiedade aparece em excesso e não apenas como reação normal do organismo, é  sinal de que é preciso tomar algumas atitudes e buscar ajuda.

     Todos nós sofremos de ansiedade alguma vez, seja na hora de uma entrevista de emprego, o primeiro dia no trabalho,  o primeiro encontro,  uma apresentação em público… Mas a ansiedade que passa a ser considerada perigosa está presente a toda hora vida da pessoa ansiosa.

     Tudo que parece relativamente simples para as “pessoas normais” parecem situações de outro mundo para os ansiosos.  Ao invés de gastar a energia resolvendo o problema a pessoa gasta a energia sofrendo de ansiedade, nervosismo,  e se desespera até que seus problemas ou tarefas estejam resolvidos.

     O problema é que a ansiedade pode piorar ainda mais e virar uma outra doença que todos nós já ouvimos falar um dia : A depressão.

     A depressão por muito tempo foi uma doença que não era considerada sequer doença.  Muita gente hoje em dia ainda trata a depressão como “frescura” ou apenas “tristeza”. Eu passei pela ansiedade e depressão. E trato esses dois problemas com psiquiatra e já tratei com psicóloga.

     A depressão não é apenas uma tristeza, é a incapacidade de encontrar a vontade ou a felicidade de viver. Quando digo aqui ” a vontade de viver” me refiro não a querer encarar a morte, apesar de que muitos pensamentos suicidas podem passar na cabeça dos depressivos, mas a situação pela qual passei foi diferente.

     Me refiro a falta de vontade de fazer qualquer coisa que antes me dava alegria ou prazer. O único lugar que eu encontrava conforto era na minha cama, em baixo do meu cobertor  e as vezes as lágrimas me ajudavam a tirar o peso de dentro de mim. Mas minha vontade de ler,  escrever,  tocar piano, sair ou conversar  com amigos e família estava em zero. Não tinha mais vontade e razão para fazer essas coisas. E se em algum momento eu sentia uma chama dentro de mim me dizendo para ter forças e tentar pelo menos escrever, eu não tinha energia física para fazê-las.

     E dia pós dia, me sentindo como um zumbi, e desta vez mal conseguindo disfarçar minha tristeza para os outros, coisa que no início da ansiedade e depressão era  possível fazer.  Não tinha mais vontade de me arrumar,porque aquela imagem no espelho nem parecia mais comigo. Sentia vontade de apenas chegar em casa mal tinha acordado.

     Mas agora eu estou melhor. Feliz, sou outra pessoa. Sim, estou tomando remédio. Apesar do remédio não tratar a causa, ele cura os sintomas. Ele possibilita que as pessoas tenham forças de levantar e realizar suas atividades cotidianas que antes lhe davam prazer. É possível voltar a ver o mundo como antes. Agora eu consigo sair, me divertir, sorrir para o dia, escrever, ler, tocar. E em paralelo vou tratando a causa. O auto conhecimento pode ser trabalhando através da psicologia, da meditação, através de exercícios físicos e outras atividades. Muitas pessoas estão num estágio da depressão que não precisam do remédio, outras precisam.

     A depressão não é uma coisa de outro mundo, é apenas necessário que mais pessoas se informem a respeito dela e que não tratem as pessoas que sofrem disto como se fosse apenas frescura. Que não critiquem o uso do remédio quando necessário, que não critiquem os psicólogos, mas que estendam a mão para ajudar ou apenas abram um livro ou uma página da internet para se informar.

     Esperando que vocês leitores entendam, estou de volta com o blog, firme e forte, com vontade de escrever.

     E você ? Já teve ou tem depressão e/ou ansiedade ? Como fez para passar por isso ? Compartilhe sua história nos comentários, vou adorar ler!

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